Após cinco anos de expansão, produtores de algodão recuam pela primeira vez
A redução é motivada, principalmente, pelas quedas da cotação da pluma.
Após cinco anos consecutivos de expansão da área, os produtores de algodão de Mato Grosso devem reduzir o ritmo na safra 2025/26. A projeção consta no boletim anual do algodão, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A redução é motivada, principalmente, pelas quedas da cotação da pluma.
Além disso, os produtores reclamam dos custos elevados e comercialização mais lenta.
Atualmente, o valor da arroba da pluma está em torno de R$ 107, pouco mais da metade do patamar registrado em 2022, quando chegou a ser comercializada por cerca de R$ 200. A desvalorização teve início no final de 2022 e, desde então, tem se mantido abaixo de R$ 130 em diversas ocasiões, pressionando a rentabilidade do produtor.
O boletim destaca que a safra 2024/25 entrou para a história como a maior já registrada no estado. MT alcançou a maior área da série histórica, com 1,55 milhão de hectares cultivados, crescimento de 5,82% em relação à safra 2023/24. Já a produção foi de 3,01 milhões de toneladas de pluma.
O Imea também destaca que o Brasil se manteve como o maior exportador mundial de algodão pelo segundo ano consecutivo, reforçando a relevância de Mato Grosso no abastecimento do mercado global, que é o maior produtor dessa commodity.
Para a safra 2025/26, a expectativa é de redução de 7,28% na área cultivada, que deve recuar para 1,43 milhão de hectares. Essa deve ser a primeira queda após cinco ciclos de crescimento. O instituto pondera, no entanto, que ainda há fatores de incerteza, especialmente ligados ao desenvolvimento da safra de soja e ao ritmo de colheita, que influenciam diretamente a semeadura do algodão de segunda safra.
Com produtividade estimada em 290,74 arrobas por hectare, a produção de pluma no próximo ciclo é projetada em 2,58 milhões de toneladas. O principal ponto de atenção, segundo o Instituto, segue sendo a rentabilidade. A combinação de custos mais elevados, preços baixos e comercialização lenta tende a marcar o próximo ano, uma vez que, até o momento, não há indicativos consistentes de valorização da pluma no mercado.
Felipe Leonel Repórter | Estadão Mato |Grosso|Robson Almeida | Secom-MT
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